sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Máquina de Fazer Barulho (parte 2)

Depois de alguns dias de doce silêncio nos arredores do Templo do Conhecimento, os donos da Máquina de Fazer Barulho encontraram o problema que a tornara silenciosa: um pobre peixe morto dentro do cano que bombeava água do rio. Tirando o peixe de dentro do cano, ligaram novamente a máquina e ela voltou a produzir barulho, para o descontento dos estudiosos que freqüentavam o Grande Salão de Refeições.

O Bobo-da-Corte viu que, ainda, ninguém protestava abertamente contra a Máquina, então voltou ao rio, pegou outro peixe e enfiou-o pelo cano. Ao longe ele pôde ouvir o som metálico e estridente cessando e suspirou aliviado.

Porém, neste dia, um dos donos da Máquina estava se banhando no rio e viu quando o Bobo entupiu mais uma vez o cano. Apontando para ele, o jovem gritou:

- Foi ele! Foi o Bobo quem entupiu o cano da Máquina! Pega ele!

As outras pessoas que se encontravam perto do rio se entreolharam, mas não moveram nem um dedo a mais diante dos berros insanos daquele que se banhava.

Jogando os braços para o alto, o Bobo-da-Corte gritou em resposta: - Ui! Pega eu! – e se afastou do rio às gargalhadas.