sábado, 8 de maio de 2010

A Torre

Numa noite chuvosa de maio, ao longe no horizonte, onde a escuridão do mundo se encontrava com a escuridão do espaço, uma luz brilhou. No topo daquela colina solitária, erguia-se uma torre tão alta e tão fortificada que apenas aqueles de coração forte e espírito decidido conseguiam subir os seus degraus antes do pôr-do-sol. Pois, passada essa hora, a Torre se tornava um antro de monstros e pesadelos, um lugar perigoso e traiçoeiro, berço de incontáveis lendas de mistério, terror e carnificina. Nenhum guerreiro jamais retornou da Torre depois de ser pego pela noite dentro dela, e os que retornaram ainda sob a luz do dia nunca mais foram os mesmos de outrora.

No topo da Torre é dito que costumava viver lá sua Senhora, a deusa dos pesadelos, o demônio controlador dos monstros, a vil tecelã dos infortúnios dos mortais, a sombra sombria que aparecia na janela nas noites mais escuras. Do alto de sua Torre, a todos ela via, a todos das vidas lhes contava os dias, a todos os reinos ela observava. Porém, desde que os primeiros cavaleiros ousaram se aventurar em sua morada escura, a luz no alto da torre tem estado apagada, como se a sua Senhora não mais lá habitasse, apesar da presença de suas criaturas.

Este cenário se tornou comum ao longo dos anos, por isso ninguém viu a primeira noite em que a luz no topo da Torre se acendeu. Depois de quase quatro décadas, a Senhora retornava para sua Torre! Mas a luz não foi acesa todas as noites. Por vezes passava mais de um mês apagada para então brilhar na escuridão outra vez, com uma freqüência cada vez maior, até que fosse avistada pelos moradores da vila mais próxima. Com receio em seus corações eles murmuravam "a Senhora voltou, a Senhora voltou".

Agora a Torre está acesa todas as noites, e sua Senhora pode novamente reinar!