domingo, 13 de junho de 2010

Runas

Após voltar para a Torre, a Senhora percebeu que as fundações haviam se deteriorado ao longo dos anos que passara fora. Por isso eram freqüentes as suas andanças à procura de algo que pudesse fortalecer a Torre e reforçar suas fundações pelas décadas seguintes.

Um dia, visitando o Reino dos Vastos Prados do Oeste, no limiar entre os campos e as montanhas onde os morros começavam a se formar, ela encontrou uma grande rocha que se destacava na paisagem. A Rocha era maior que ela própria, arredondada, sem cantos ou ponta alguma, e suas cores claras e diversos minerais faiscavam ao sol.

A princípio parecia uma pedra comum, mas só de bater o olho a Senhora percebeu que havia algo de especial com aquela rocha. Chegando mais perto e olhando-a com cuidado, percebeu que havia runas talhadas nela. Runas antigas, talvez tão antigas quanto a própria Rocha, feitas com riscos grossos e profundos destinados a atravessar eras. Eram palavras de força e constância que transmitiam a qualquer um que estivesse perto uma sensação de tranqüilidade e confiança.

A Senhora sentou na grama e se recostou na Rocha, deixando o sol do outono aquecer seu rosto severo e corpo cansado. A cada minuto que passava a aura da Rocha abrandava suas expressões, até que ela finalmente sorriu e murmurou para si mesma: - Talvez seja disso que a Torre precisa... Talvez seja exatamente isso.

Voltando para a sua Torre, com uma mágica só conhecida por ela, a Senhora entalhou algumas das runas nas fundações de sua morada. Quando o difícil trabalho finalmente acabou, ela olhou para a sua Torre e pôde sentir ali a presença daquela Rocha entalhada pelos Deuses antigos.

- Era exatamente disso que eu precisava...

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Esse texto é uma homenagem tardia ao dia dos namorados. Não espero que a maioria das pessoas entenda, pois é uma metáfora da realidade.

Logo postarei um texto com menos metáforas.