quarta-feira, 21 de julho de 2010

Coroa Nova

Vagando pelo território de seu antigo reino, o Rei chegou a uma cidade muito movimentada, repleta de praças de mercado, pessoas de diversas distâncias e animais de carga. Ao passar por um vendedor de jóias, reparou na primazia com que os objetos foram feitos e perguntou pelo ourives responsável.

- Não sou eu, não – respondeu o rapaz atrás da bancada. – Quem faz as jóias é o meu tio-avô. Ele é o melhor ourives dos três reinos do sul, e também é muito famoso por fazer as jóias da realeza.

O Rei já havia ouvido falar naquele ourives, apesar de nunca ter prestado atenção ao seu nome ou onde residia. Com uma idéia formando em sua mente para recuperar o trono, foi até a oficina daquele senhor.

Quem o atendeu à porta foi um homem grisalho e já baixo por conta da idade avançada. Tinha na cabeça uma maçaroca de lentes presas em finas hastes de metal acobreado, instrumento que certamente utilizava em seu trabalho. Uma das lentes estava abaixada e aumentada o seu olho esquerdo em três vezes, fazendo-o parecer assustadoramente curioso.

- És tu o Ourives Magnífico de quem tanto ouvi falar? – perguntou o Rei, achando que o pomposo apelido agradaria o ourives.

Na realidade, apenas o tornou irritadiço, pois considerava tal alcunha um tanto quanto infantil e ridícula para o trabalho austero e profissional que realizava. Entretanto, respondeu educadamente?

- Certamente que o sou. O que deseja?

- Eu gostaria de encomendar a feitura de uma coroa.

- Em nome de quem?

- Oras! Em meu nome, é claro!

- Desculpe-me senhor, só faço coroas para reis e rainhas.

- Mas eu sou um rei. Sou o Rei deste reino! Não reconhece meu rosto? Estou em todas as moedas! Se não tivesse perdido minha coroa, não precisaria fazer uma nova.

- Sinto muito, mas, se você não tem uma coroa, não é rei. Passar bem.

Dizendo isso, fechou a porta na cara do monarca sem esperar resposta. Por algum tempo ainda o Rei continuou esbravejando inutilmente que haviam lhe roubado a coroa.