sábado, 24 de julho de 2010

Oportunidade de Ouro

Um dia o Bobo-da-Corte estava visitando um lugar muito distante de sua terra natal. Era uma terra entre reinos, uma terra-de-ninguém, mas ainda assim muito rica e povoada. No momento ele visitava a área dos campos e bosques, admirando as belezas naturais da região, que era bastante nova e cheia de morros.
Caminhava próximo a um rio sinuoso e ligeiro quando tropeçou em uma coisa com pontas que espetou seus pés. Levantando-se, ele apanhou o objeto e, imediatamente, suas sobrancelhas destacadas pela tintura em seu rosto se transformaram em dois arcos altos. O objeto era dourado e cravejado com pedras preciosas de diversas cores.

- A coroa do Rei! – ele exclamou surpreso. – Eu achei!

Ficou parado olhando para aquele objeto por vários minutos, se lembrando da ruína de reino quase vazia que deixara para trás. Não conseguia imaginar como a coroa viera parar num lugar tão distante. Com o lampejo de uma péssima idéia a brilhar em sua mente, ele olhou em volta e se certificou de que o lugar estava deserto. Então tirou seu chapéu de pontas e sinetes e lentamente o substituiu pela coroa.

Imediatamente seu coração se apertou e encolheu, e pensamentos cheios de tesouros e mesquinharias lhe encheram a cabeça. O Bobo-da-Corte teve a certeza de que era a melhor pessoa para assumir o trono da região em que se encontrava, certamente uma bênção para aquele povo que por tanto tempo viveu sem um líder. Era certo que o adorariam como um deus. Não só certo, era-lhes uma obrigação, assim como lhe pagar tributos, afinal, aquela agora era sua terra.

Muito satisfeito consigo mesmo, num gesto de vaidade o Bobo tirou a coroa para poli-la. Tão rápido quando vieram, tais pensamentos escapuliram de sua mente como que sugadas por um ralo. O Bobo-da-Corte continuou olhando para a coroa com um simples ar curioso, como se nada mais houvesse lhe ocorrido nos últimos minutos.

- Bah, não preciso disso.

Falando isso, jogou a coroa no rio com descaso e seguiu seu próprio caminho.