terça-feira, 12 de julho de 2011

Na Palma da Mão

O Menino brincava em seu quintal como sempre. Podia vê-lo desde a esquina, sentado na grama com alguns carrinhos e soldadinhos espalhados ao seu redor. Estranhamente, não parecia estar interessado nos seus brinquedos, mas sim em algo que segurava firmemente dentro das mãos apertadas em concha. De vez em quando abria uma frestinha entre os polegares e dava uma espiadela lá pra dentro, ou então aproximava as mãos do ouvido.

"O que eles está aprontando agora?", pensou a Menina, apressando o passo.

- Oi! – ela cumprimentou alto às costas do Menino para lhe dar um susto. – O que você tem aí?

- Ah, você não ia querer saber – o Menino falou como se tivesse um segredo assombroso em mãos.

- Ah, ia sim! Eu quero ver! O que você está segurando?

A Menina se ajoelhou do lado dele e tentou alcançar as suas mãos, mas o Menino desviava dela agilmente.

- Sai pra lá! Já disse que você não vai gostar. Deixa de ser boba!

- Mas eu quero veeeeeeeer!

A Menina tanto insistiu que acabou vencendo pelo cansaço. O Menino então se levantou e pediu para que ela chegasse bem pertinho, pois era muito pequeno e não dava pra ver direito de longe.

Quando ele abriu as mãos, algo verde, seco e pernalta saltou para o nariz da Menina fazendo um alegre som de cri-cri. As suas tranças se arrepiaram e ela soltou um grito agudo e contínuo, correndo pelo jardim. E o Menino rolava de rir sobre seus brinquedos.