sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Coração Desnudo

Esta é a história de um cubinho de gelo derretido e das forças que o moldaram. Em vez de mostrar uma de suas várias faces, o cubinho se mostra agora aberto e exposto, porém ainda cheio de metáforas, como não podia deixar de ser, pois essa é a única forma em que ele consegue expressar sua verdade.

A primeira força foi o medo, essa coisa tão pequena e poderosa. O medo é pequeno, pois é capaz de se esgueirar pelas menores frestas e rachaduras, rastejando silenciosamente para dentro sem ser percebido. E poderoso, pois é capaz de controlar nossas ações e pensamentos, enquanto a nossa verdadeira consciência tenta desesperadamente soltar um grito de liberdade que nunca sai. Esse é o poder do medo: paralisar o verdadeiro indivíduo, controlar sua vida, congelá-lo. Uma vida inteira pode passar ao redor da pessoa que se deixa paralisar pelo medo. E isso é muita coisa.

A segunda força foi a que conseguiu derreter o cubinho de gelo. Essa força foi o amor, tanto aquele que vem de fora quanto aquele que vem de dentro, o amor pela vida. Somente esse tipo de respeito é capaz de dominar o medo. E foi assim que o cubinho de gelo se transformou numa pocinha d'água, e depois cresceu até se transformar num grande lago. Ocasionalmente este lago gosta de transbordar e formar lindas cachoeiras, alimentando seus sonhos são de se transformar num oceano. Mas sabe que ainda precisa crescer muito para isso.

As águas desse cubinho de gelo transformado em lago estão agora calmas e paradas, sem uma onda sequer a agitá-las, pois os medos sempre dão um jeito de se aninhar no fundo lodoso. Mas o lago mantém sua paz, pois mesmo que congelasse agora, seria apenas superficialmente. Entretanto, essa calmaria necessária para conter o medo pode ser o anúncio de uma tempestade torrencial - ou de uma passageira chuva de verão. Só os dias poderão dizer.