terça-feira, 23 de agosto de 2011

Outono, uma estrela


Era uma menina.

Queria ela mesma contar uma história de amor, na forma de poesia, amor frio que ela mesma vivia. E o fez. Se a tivesse publicado, poderiam ver que iniciava assim: “Era uma vez...uma estrela chamada Outono”. Fiz justiça, e deixei “a estrela Outono” com o título deste conto e como uma personagem, mas tirei-lhe a abertura do texto. Descobrirão, como eu e como a menina descobrimos, que “a estrela Outono” não é nem nunca foi protagonista desta história. Mas a menina...

Outono era uma estrela que a menina começou a notar no céu certo dia. Por meses a garota saía de casa, se colocava próxima a uma mangueira do jardim, e, sentindo aquele perfume doce de fruta, olhava o céu e sonhava. Aprendeu todas as fases e horários da Lua só nessas vigílias noturnas.

Até que um dia (ou uma noite), Outono piscou e acenou para a menina. Vivendo um sonho, ela comemorou aquele gesto mágico por sete dias e sete noites, escrevendo e inventando danças e rituais cabalísticos em seu quarto e junto à mangueira.

Na oitava noite, porém, a estrela sumiu. E começou uma longa temporada de chuvas e vento...

Esperando a volta da estrela, a menina escreveu muito. Foi então que iniciou um poema com a frase “Era uma vez...uma estrela chamada Outono.” Passou-se muito tempo e ela ainda esperava a estrela embaixo da mangueira do jardim. As mangas continuavam verdes.

Foi apenas muito papel, tinta e lágrimas depois que a menina percebeu o quanto tinha vivido até ali, e o quanto ainda faltava viver... E ela só olhando para o céu. Abaixou os olhos, e viu a tristeza do jardim. Decidiu então passar aquela tarde plantando as flores da estação.

Era quase noite quando ela semeava girassóis próximo à mangueira. Pensava na dança, em músicas, na prova que tinha na semana seguinte, na conversa que tivera com sua melhor amiga no dia anterior...

“Tuf!”

...levou um susto, e olhou para o lado do som. Viu que uma manga caíra no chão.