terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poucas palavras

No dia em que Leonardo voltou de viagem, todo mundo na sua sala queria saber como fora o tempo em Brasília. Bombardeavam-no de perguntas, porém quando ele começava a respondê-las, percebia que seus colegas não estavam realmente interessados em ouvir o que ele tinha para falar.

Aos poucos, Leonardo foi percebendo que as perguntas eram retóricas e pouco sinceras. Mas mesmo assim ele sentia vontade de compartilhar com alguém sua grande experiência.

Com muita atenção, Fernanda escutou a tudo que Leonardo contara com muita empolgação durante dias. No final da semana, porém, Leonardo se deu conta do quanto havia falado e se desculpou por sequer dar uma chance para Fernanda falar também.

Com toda a doçura que lhe é característica, Fernanda apenas sorriu e disse:

- Léo, eu gosto de você!

Foi tudo o que ela disse em todos aqueles dias. No futuro, quando se lembrassem disso, nenhum dos dois se lembrariam de mais nenhuma outra palavra dita. É o poder das poucas palavras.

3 comentários:

  1. Meus últimos textos ficaram muito compridos, por isso me inspirei na capacidade de síntese da Priscila e vou tentar aprender com ela a sutileza dos contos curtos.

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  2. Eu também preciso aprender a escrever pouco. Parece que meus textos ficam maiores a cada conto que passa. Quem sabe um dia...

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  3. Eu gosto de contos compridos. Embora os meus sempre fiquem mais ou menos do mesmo tamanho =x

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