sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O (im)possível


- Mãe, por que você acha Matrix uma bobeira?

Haviam acabado de assistir ao filme Matrix, e Juliana estava impressionada com a história. Achou genial a ideia de que os seres humanos viveriam num mundo virtual, enquanto que no mundo real viviam em cápsulas produzindo energia para as máquinas, e estava imaginando se isso não seria verdade mesmo. Sua mãe, porém, não gostou do filme.

- Porque eu gosto de histórias que sejam minimamente possíveis.

Na verdade esse “minimamente possíveis” era extremamente relativo. Ela sempre comentou que quando era criança gostava da história de uma menina que fazia magia pois era um gênio, e até hoje acreditava em paranormalidade e em várias superstições. O gosto por coisas “minimamente possíveis” também não a impediu de gostar de vários outros filmes mais “água com açúcar”, mas tão “impossíveis” quanto Matrix.

Um sentimento muito intenso invadiu Juliana, querendo mostrar para sua mãe que bobeira mesmo era aquilo que ela havia acabado de responder. Pois havia tanta coisa que não sabia se era possível, mas que tanto eram imaginadas que eram tão ou mais importantes para a menina que muita realidade por aí. O real era apenas uma das possibilidades imagináveis para o mundo. Então tentou juntar tudo isso numa frase, encheu o peito e atirou:

- Não precisa ser possível para ser real!