terça-feira, 1 de novembro de 2011

As Asas do Cavaleiro

A Senhora observava do alto de sua Torre o Cavaleiro lá em baixo, de pé sobre a grama macia. Sua armadura era feita de uma pedra branca e dourada, coberta completamente por runas nobres e fortes. Há anos ele chegou sem aviso e enfrentou as Aberrações que haviam se esgueirado para dentro dos calabouços e salões da Torre.

Aquelas criaturas eram diferentes dos Monstros que ela criava, seus únicos companheiros durante os anos de aprendizagem solitária. Agora as únicas aberrações que sobreviveram ao ataque do Cavaleiro da Armadura de Pedra eram fracas demais para causar confusão. Entretanto, elas sabiam se esconder. Eventualmente se fortaleciam, cresciam e apareciam, ameaçando a Senhora. Mas o Cavaleiro permanecia na Torre para eliminar até a última delas.

Quando o sol quebrou o cerco das nuvens cinzentas sobre a planície naquela tarde fria, o Cavaleiro abriu os braços, saudando a luz em sua meditação. Foi então que a Senhora teve certeza. A sombra que ela via no chão não era apenas a da armadura pesada e espessa, mas também via um par de longas asas saindo das costas do homem, apesar de o Cavaleiro não possuir asa alguma.

- Eu sabia! Ele não podia ser um Cavaleiro comum, tinha que ser algo mais.

Aquele algo mais bateu as asas de sombra, esticando-as para que sua sombra alcançasse a Torre atrás de si. Então recolheu-as, e o sol desapareceu novamente por entre a nuvem de chuva que se aproximava.

- O sol é bom - o Cavaleiro falou sem saber que estava sendo ouvido. - A chuva também.