sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Londres (parte 1)

Depois daquele dia, Leonardo e Fernanda não se falaram mais. Falar o que? Como conseguiriam sequer olhar um para o outro agora? Os dias no colégio passaram muito devagar para eles.

Todo mundo percebeu que havia algo errado, afinal, Leonardo e Fernanda estavam sempre juntos há anos. Alguns professores até procuraram falar com eles, perguntar se estava tudo bem, mas foi em vão.

Após alguns dias a notícia se espalhou e Leonardo descobriu através do Tiago que Fernanda foi aprovada em uma universidade na Inglaterra e que estava indo para Londres logo depois do Natal.

Veio o vestibular e, por mais que tivesse estudado muito, Leonardo não conseguiu se concentrar direito. As semanas dali pra frente pareceram uma eternidade. A cada quinze minutos ele conferia o celular para se certificar se ela não havia tentado ligar ou enviado uma mensagem de texto. Ele, porém, não ligou para ela. Tentou várias vezes, mas nunca tomou coragem o suficiente para falar o que queria dizer.

Na formatura do colégio os dois até se encontraram. Trocaram sorrisos amarelos de quem não sabe o que dizer e ficou por isso. Seus pais riram, se abraçaram e passaram a noite relembrando as histórias da adolescência dos filhos. Os olhares de Leonardo e Fernanda, todavia, fugiam um do outro como gato e rato.

Fernanda tinha muitas coisas para resolver antes da viagem e por isso os dias para ela passaram voando. As noites, por outro lado, se tornaram uma tortura interminável. Toda noite quando se deitava, Fernanda demorava a dormir. Não foram poucas as noites em que sua mãe foi até seu quarto secar suas lágrimas e consolar a tristeza da filha. Ficavam até de madrugada conversando sobre aquilo que Fernanda queria da vida e do nosso futuro que a esperava.

- Mas mãe, eu... eu queria ele! Eu sempre quis...

- Eu sei querida, mas nós nem sempre conseguimos aquilo que queremos. Isso é ser adulta, agora você precisa levantar a cabeça e seguir em frente afinal o Léo ainda é o seu melhor amigo.

Ser adulto é uma droga... Por que a adolescência passou tão rápido? Mas não importa, eles cresceram e estava na hora de decidirem aquilo que queriam. No dia seguinte tocou o telefone na casa do Leonardo.

- Oi querida, sim, sim, ele está aqui. Já estou chamando. "Léo, a Fernanda está no telefone aqui em baixo." E você, querida, como está? Faz tempo que você não vem aqui em casa. Tudo pronto pra sua viagem? Quando você vai?

Leonardo desceu as escadas tremendo. Mais uma vez sua amiga tomou a iniciativa e fez aquilo que ele não tinha coragem e ele sentia muita vergonha de falar com ela no telefone.

- Olá Fernanda, tudo bem?

- Oi Léo, comigo tá tudo bem e com você? – o excesso de formalidade e até mesmo o tom de voz no telefone denunciava a mentira que os dois estavam dizendo. Não estava tudo bem- Só estou ligando para te passar o dia e o horário do meu vôo. Se você puder ir ao aeroporto eu ficaria muito feliz.

- Ah tá, muito obrigado por avisar, Fernanda. Eu vou fazer o possível. Até lá.

A frieza e a formalidade das palavras tirou toda a coragem que Leonardo tentou acumular para falar o que realmente sentia. Fernanda já havia se despedido e ia desligar o telefone quando seu amigo respirou fundo e juntou toda a coragem que ainda lhe restava:

- Fernanda, me desculpe!

- Tudo bem, Léo. Você não fez nada errado. Fui eu quem fiquei com medo de te contar a verdade por que não sabia qual seria sua reação.

- Você tem razão, Fernanda. Eu não fiz nada, esse foi o problema. Me desculpe. Você é minha melhor amiga e eu quero que continue sendo, não importa onde você esteja.

- Eu também quero continuar a nossa amizade. Perdoe-me por não ter sido sincera. Você sempre me ajudou e esteve ao meu lado durante todos esses anos, não sei o que me deu na cabeça por não querer te falar que eu me inscrevi para uma faculdade na Inglaterra.

- Eu acho que no fundo eu sempre soube que era isso que você queria. Acredito que só vamos conseguir nos ver no aeroporto agora, né?