sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A quatro mãos

"Faz muito tempo que eu não sento para escrever. Fim de ano é sempre uma correria, e esse ano em especial foi pior ainda. Com o vestibular e com tudo mais que aconteceu achei que não iria conseguir recuperar o ritmo, mas é engraçado como é só pegar na caneta que todas as idéias voltam a fluir pela minha cabeça em uma velocidade mais rápida do que a mão consegue escrever. E eu bem que estou precisando escrever um pouco para arejar as idéias.

...

Confesso que estou tentando pensar em uma história para escrever mas, por mais que eu tenha milhões de pensamentos na cabeça, todos eles são sobre ela e eu definitivamente não quero escrever sobre isso. A vida continua e eu não posso ficar sofrendo como se isso fosse o fim do mundo.

Sei que nunca tive hábito de escrever. Mesmo quando menina, enquanto todas as minhas amigas tinham diários e cadernos de confidências, eu nunca achei graça em ficar conversando com o papel. Agora acho que finalmente vou precisar fazer as pazes com o dito cujo.

Estou gostando muito daqui. Quer dizer, tudo é diferente, a cidade é linda, estou amando minhas aulas mas ainda não consegui fazer novos amigos e isso não tem me deixado nada feliz... Detesto chegar em casa no final do dia e não ter com quem conversar. E, bem... sinto falta dos meus amigos... sinto falta dele...

Mas eu não posso ficar sofrendo por causa do que aconteceu. Tenho certeza de que ele já superou tudo e agora eu também preciso. Afinal, ele continua com todo mundo lá junto dele enquanto eu estou aqui sozinha.

Eu preciso me recompor. Tenho certeza de que ela já superou tudo e agora eu também preciso. Ela está em um lugar completamente novo, cheio de coisas para descobrir, visitar, gente para conhecer... Mas eu, aqui tudo continua igual exceto pelo fato de ela não estar junto. Tudo continua no mesmo lugar, do mesmo jeito, mas agora tudo é tão... bobo. Sem ela do meu lado, tudo fica tão sem graça. Todos os filmes em cartaz no cinema são bobos, viajar para a praia é bobo, sair com os amigos é bobo...

Bobo. Por que ele não me disse aquilo antes? Por que precisou esperar eu ir embora para finalmente falar que gostava de mim? Por que não teve coragem de assumir o que sentia antes? Por que ele foi tão... urgh... Bobo! Dói pra caramba, mas eu não vou perder a minha juventude por causa dele. Eu fiquei anos esperando por ele mas agora chega. É um novo ano e eu estou em um país novo do outro lado do mundo. Para mim chega de ficar choramingando. Vou viver a minha vida ao invés de ficar reclamando.

Pensando bem, acho que eu já reclamei demais. Tudo poderia ter sido muito lindo, mas não foi e agora eu preciso tocar a bola para a frente. Isso não é um conto de fadas da Disney, isso é a minha vida e eu estou cansado de tentar ser o príncipe encantado."

- Tiago, ainda tem vaga no teu carro? Ótimo, porque eu mudei de idéia. Sim, eu vou para a praia com vocês!