terça-feira, 17 de janeiro de 2012

... do tempo


Quinta-feira passada o jornal deu ao vivo a seguinte previsão do tempo:

“... E no litoral, podem ocorrer pancadas de chuva pela manhã, pela tarde ou pela noite.”

Quem mastigou minimamente a informação (o que não é tão comum assim em se tratando de telejornais) ficou incrédulo:

- Ora, até eu faço uma previsão do tempo assim! Pode chover qualquer dia, a qualquer hora, nos próximos 365 dias!...

Ao que alguém, certamente, responderia:

- É, é o aquecimento global... Ninguém sabe ainda as mudanças que ele está provocando no clima...

Acertando ou não, há gente que, religiosamente, assiste à previsão do tempo (ou às previsões do tempo) na televisão todos os dias (mesmo quando passarão esse tempo todo dentro de casa):

- Liguem a tevê, ‘tá na hora da previsão do tempo! Chhhh... Escutem!

Outros caíram no puro ceticismo:

- O certo seria dizer horóscopo do tempo, e não previsão. Apesar de que os horóscopos costumam acertar mais que as previsões.

E muitos preferem ficar alheios a esse tipo de informação:

- Eu saio de manhã com um casaco, manga curta e sombrinha. Aí fico prevenida pro tempo que vier.

A prevenção à previsão é o que lhes restou no ciclone de previsões não concretizadas.
Não que os meteorologistas (e jornalistas) sejam os únicos culpados nessa história (se é que sejam). O tempo em si anda instável, difícil de prever (é o que dizem: parece que há poucos anos o tempo era mais “certinho”).

Curitiba, por exemplo, é conhecida por proporcionar a seus habitantes as quatro estações do ano em um único dia. Quando isso acontece, a madrugada costuma ser fria como o inverno; depois vem uma manhã primaveril, seguida de um meio-dia de calor intenso e um entardecer com uma chuva insistente, de um outono sem fim. Isso se complica quando se acrescenta o fato de que essa sequência pode ter diferentes combinações, e mesmo duração temporal de alguns dias ou semanas.

- Eu moro nessa cidade desde que nasci e nunca me acostumei. É sempre uma surpresa.

Nesse turbilhão, não há previsão que preveja (veja antes) o que vai ser do tempo.

Mas também, prever é um verbo que carrega muita responsabilidade. Como adivinhar o futuro. Para tirar das previsões do tempo o encargo de acertarem o futuro, elas poderiam ser simplesmente chamadas de avaliações do tempo. Avaliar é uma ação mais ligada ao presente, às condições verificáveis no momento da avaliação. O máximo que se pode fazer, em relação ao futuro, é, considerando as condições avaliadas, dizer as tendências do tempo. Mas previsão...

Fato é que a instabilidade do tempo e o destino errante das previsões podem apimentar aquelas conversas breves e rasas em elevadores, filas de bancos e esperas por atendimento em serviços públicos:

- O tempo está louco hoje, não?!...

E até vira inspiração de algum conto, ou de alguma crônica.