sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Minhas histórias: De verdade

Passar uns dias no sertão do Piauí me fazem questionar aquilo que chamamos de "valores". Esse não é um conto engraçado nem uma história bonitinha. Talvez não seja nem uma crônica mas é algo que está me incomodando e que parece não me deixar dormir enquanto eu não pôr pra fora.

Como eu deveria me sentir ao ser convidado para almoçar na casa de uma senhora que recebe um salário mínimo da aposentadoria e sustenta a sua casa e a dos filhos, uma vez que os mesmos não tem nenhuma outra fonte de renda a não ser a agricultura? E se não chove e as sementes morrem na terra pela falta de água e nem mesmo a agricultura consegue render alguma coisa pra alimentar as crianças?

Entrei em uma casa de taipa com um único cômodo que tinha 1,60m de largura e 1,80m de altura. Eu sequer cabia dentro da casa. Precisava ficar agachado lá dentro. E tem gente que mora lá! Eu vi essas pessoas, conversei com elas.

O que eu deveria pensar quando descubro que para algumas famílias, a cesta básica é um luxo que elas sequer tem condições de ter? Uma cesta básica! O cineminha de fim de semana com a namorada já custa mais do que isso.

E essas pessoas vivem assim. E não é um dia ou outro, elas realmente vivem assim durante todas as suas vidas. Quando ouvimos sobre situações parecidas no jornal, costumamos achar que é algo distante e dificilmente achamos que aquilo é real. Mas eu conheci essas pessoas. Conheço seus nomes, ouvi-las contar sobre seus sonhos, abracei-as, comi a comida delas e chorei com seus problemas.

Essas pessoas são reais. Tem gente de verdade por aí precisando de mais do que dó. É muito fácil olhar de longe e fazer de conta que não acontece. Mas isso é a vida real. O mundo inteiro está olhando. Mas e aí, o que vai acontecer? Você pode continuar parado olhando, mas eu te desafio a se mexer.

É isso aí. Mexa-se e veja o que acontece. Fim.