sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval na varanda


Ela era apenas uma menina, e por isso estava sentada na pequena varanda de sua casa. Os braços abraçando os joelhos, os olhos perdidos em algum lugar lá longe, pralém da mangueira à frente, tristemente. Seus pais a viam menina enquanto ela já se via moça, com esboços de mulher.

Sabia que o Carnaval estava acontecendo naquele momento, mas muito longe de onde estava. Havia algum lugar onde sua vista nem seus ouvidos não alcançavam cheio de vida e alegria, e ela ali, naquela pacata varanda. Sentiu pena de todos os presos do mundo, que também não podiam ir ao Carnaval.

Assim ela estava quando seu irmão gêmeo a viu. Ficou ele parado a observando por alguns instantes, e, ainda sem ser notado, deu meia volta em direção a casa. Quando voltou, trazia algo às costas. Ao sentar-se ao lado da irmã, colocou um volumoso boá de plumas laranjas em volta do pescoço dela.

- Oi..., ela agradeceu. Quando ergueu os olhos, viu que ele trazia um extravagante chapéu-coco verde brilhante na própria cabeça. Riu.

- Eu separei umas músicas para o carnaval, quer ouvir?

(...)

Quando viu, a varanda era a avenida, ela porta-bandeira, rainha de bateria, passista, ele mestre-sala, folião, carnavalesco. O pacato lugar lá longe virou aquela varanda cheia de vida e alegria. Era enfim uma menina livre, porque vivia seu carnaval.