sexta-feira, 30 de março de 2012

Candidato a inquilino


Seu Ton dava muito valor ao dinheiro que conseguiu juntar na vida. E já tendo passado por muitas, poucas e boas, nessa vida, preferia investimentos de baixo risco. Alugar um apartamento que tinha era um deles. Para diminuir as chances do negócio não sair bem como planejava, não se preocupava em acrescentar mais cláusulas nos contratos (coisa de que nem tanto entendia) ou qualquer outra cautela técnica. Dos meandros de sua experiência, fazia mesmo era escolher bem o inquilino. A dedo.

Mas sua esposa, apesar da paciência de vó, às vezes perdia a paciência com tamanha criteriosidade:

- Ontem, aconteceu uma coisa. Um homem ligou... Mas o Indo, em vez de conversar!...

Seu Ton retrucou:

- Em vez de conversar!... O cara que...

- Mas o homem ´tava te esperando!

- Ele ´tava...mas eu não ´tava esperando ele!

- Pois é, o cara ligou pra cá aí falei que o Indo ´tava lá no prédio, se ele queria ver o apartamento.

- Eu ‘tava lá. Mas quando eu cheguei, o Sol ´tava gostoso, aí fiquei lá fora, sentado, no calor. E o cara chegou lá no prédio, nem pra me procurar! Sentou num banco na frente do prédio e ficou esperando! Eu ia lá saber que era ele?! Só pode ser burro!

E lá se foi outro candidato a inquilino.