terça-feira, 24 de abril de 2012

A cereja e a menina de chá de morango

Após viver alguns meses muito bem adaptada ao estilo de vida londrino, chegou o fatídico dia do seu aniversário.

Embora Fernanda já houvesse atravessado os meses críticos da saudade, já houvesse chorado no telefone com a mãe e já tivesse pensado em jogar tudo para o ar e voltar para casa, os piores dias agora eram passado. Mas a percepção de que iria passar seu aniversário longe dos amigos foi pior do que o planejado.

Percebendo isso, Nicholas resolveu fazer justiça aos constantes elogios que recebia da namorada e preparou uma bela surpresa para alegrar o dia de Fernanda. Acordar com um buquê de flores em frente a sua porta foi apenas o início de uma série de pequenas e grandes surpresas que, como pistas em um caça-ao-tesouro, culminaram com um delicioso jantar a luz de velas. O rapaz de fato se superava a cada instante.

Foi assim que o dia que estava condenado à fossa ficou quase perfeito. Quase porque o dia ainda não havia acabado. Quando Fernanda deitou-se na cama para descansar de um dia tão cheio de atividades, ela recebeu a sua "cereja do bolo": o telefone tocou.

- Caramba, idosa! Só porque fez aniversário não para mais em casa? Estou tentando te ligar o dia todo.

Aquela voz tão familiar em um bom português brasileiro tornou totalmente dispensável a necessidade de identificação de seu interlocutor:

- Léo, você está me ligando! Por que você está pagando DDI?

- Ué? Porque é seu aniversário. Você pensou que só porque está morando longe eu ia esquecer? Estou te ligando para desejar parabéns e para saber como foi passar o seu aniversário longe de casa.

- Então vamos para o Skype porque daí a gente pode conversar a vontade sem medo de gastar muito com a conta de telefone.

Todo o cansaço do dia deu lugar à empolgação de receber um telefonema do melhor amigo e Fernanda e Leonardo passaram muito tempo conversando. Tanto tempo que perderam até a noção da hora. E conversaram sobre tudo sem mágoas ou ressentimentos. Conversaram de um jeito que já não conversavam há meses, desde antes de Fernanda viajar para a Europa. Conversaram como melhores amigos.

Quando finalmente foram vencidos pelo sono, Fernanda se deu conta de que seu coração não doía mais por causa de Leonardo. Gostava dele e sentia saudades, é claro, mas pela primeira vez em muito tempo ele não era mais uma lembrança dolorosa do que não aconteceu e sim aquilo que ele sempre fora: seu melhor amigo.

Alguns dias depois, Fernanda percebeu que, por mais querido e esforçado que Nicholas fosse, não era certo ficar com ele apenas para tentar apagar más memórias. E como as más memórias não mais existiam, Fernanda decidiu que não era tempo de namorar para esquecer. Era tempo, sim, de viver e curtir a sua vida no Velho Continente. Talvez no futuro seus caminhos voltariam a se cruzar com os de Leonardo, mas não era tempo de se preocupar com o que estava para acontecer. O que o futuro reservava para aqueles dois, isso só o tempo iria saber.

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Nota do Autor:

Aqui termina a segunda parte da história de Leonardo e Fernanda. O tão esperado desfecho desta história será revelado de forma exclusiva no livro comemorativo de 02 anos do site. Em breve teremos mais informações sobre isso.