sexta-feira, 25 de maio de 2012

Coincidências

Coincidências. Nada mais do que coincidências.

A garotinha no balanço estava sentada na beirada da madeira. Apenas isso. Não foi culpa do gato preto que passava por ali ela ter caído e se machucado. Se a mãe da menina que chorava descontroladamente tivesse visto o gato, certamente teria o culpado, mas estaria sendo injusta.

Aquele homem de capotão passou debaixo de uma escada no caminho para o trabalho. Chegando no escritório, recebeu a notícia de que estava despedido. Ele poderia não ter passado debaixo da escada, e ainda assim seria despedido.

A moça fechou com muita força o armário vagabundo do banheiro e o espelho de rachou. Sem tempo de ir à loja comprar outro, usou o espelho quebrado por dias seguidos. No dia seguinte, foi atropelada por uma bicicleta e quebrou um braço. Naquela mesma noite, desfez-se do armário do banheiro, mesmo sem ter onde colocar a escova de dentes e os produtos de beleza.

O rapaz comprou um bonito guarda-chuva novo e abriu-o dentro de casa para mostrar à mãe. Nos dias que se seguiram, a namorada o largou e um tio muito querido morreu. Nenhum dos eventos estava relacionado de qualquer forma que fosse.

Todos os melhores amigos daquela mulher loira ali na esquina são do signo de aquário. E todos os seus maiores desafetos são de libra. Ela própria é de gêmeos.

A senhorinha que mora naquela velha casa de madeira nunca conseguiu fazer seu jardim florecer. Um dia, uma criança da vizinhança, com seus quase três anos de idade, sentou-se no seu jardim e brincou lá a tarde inteira. Depois daquele dia, as flores de seu jardim se abriam toda primavera. A senhorinha acreditava que gnomos gostavam de crianças e que cuidavam das flores.

Às vezes, tudo o que temos na vida são coincidências. Cabe a nós acreditar nelas ou não.