sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Vôo

O telhado da outra casa estava distante. Os vizinhos pareciam não se gostar, pois haviam feito suas casas bem distante uma da outra. Não que o Pássaro se importasse. Em verdade, era completamente alheio àquilo. Só o que queria era voar para o telhadinho que avançava sobre a janela do sótão da casa ao lado. Só isso.

De lá, tinha uma visão melhor da praça na quadra seguinte. Podia descansar até o momento em que uma humana bem baixinha e curvada vestida de flores ia até lá. Era sempre fácil achar comida nessa hora. Porém, outros pássaros já haviam percebido isso. Era de extrema importância que ele visse aquela humana antes dos outros. As pombas eram particularmente um incômodo, pois nunca saíam do chão ou das árvores da praça e avançavam em bando para as migalhas e milhos que apareciam no chão. Se ao menos algumas voassem para longe e voltassem horas mais tarde, como faziam a maioria dos pássaros... É, conseguir comida seria uma tarefa mais simples.

O Pássaro andou de um lado para outro, procurando o melhor ângulo para levantar vôo. O vento estava forte, então deu alguns passos para o lado, assim faria o menor esforço possível para chegar ao seu destino. Abriu as asas, ajustou a cauda e pulou! Bateu pouco as asas, como havia calculado, num vôo suave e perfeito...

Wahm!

Um menino escancarou a janela do sótão, assustando o Pássaro. O animal deu uma pirueta no ar, caiu alguns metros e então voltou para o ponto de origem. O menino sorriu surpreso ao ver que um passarinho quase havia batido na sua janela, e que ele o salvara com um susto.

O Pássaro, com o coraçãozinho acelerado, praguejou contra as crianças humanas, sempre tão imprevisíveis.