quarta-feira, 13 de junho de 2012

Indiferença

Estes dias estão ficando cada vez mais caóticos, muita gente se espremendo em uma cidade que não conhece limites para crescer. Ruas entupidas de pessoas, veículos. Fumaça e barulho estão por todo lado. E isso se reflete claramente na rotina, e , consequentemente, na vida de todas as pessoas.

Menos uma, de fato.

Em um pequeno apartamento, localizado em um prédio bastante antigo, mas que possuía algo que ainda o tornava especial, mora um sujeito interessante. Deve, a este momento, estar voltando para casa, depois de um dia estafante no trabalho.  Mas isso para ele não era um problema, pois ele tem uma habilidade especial. 
Uma espécie de superpoder contemporâneo.

Sim, ótimo nome para isso: Um "super poder contemporâneo"!

Algo que o colocava em um patamar completamente diferenciado de todos os que estavam à sua volta, meras vítimas de uma rotina que ele considerava completamente inútil. Ele estava sempre lá, olhando aquela maçaroca de gente em volta dele, nunca deixando de exibir aquele sorriso amarelo de indiferença.

Sim, indiferença. Esse é a habilidade mais cobiçada em uma cidade tão caótica.
Ele não gosta e nem odeia a rotina, apenas é indiferente. Não gosta da maratona diária, mas nem a odeia. Simplesmente segue indiferente.

Nesta toada ele toma todos os caminhos na sua vida. Ele segue sempre em frente, como se o que tivesse ficado para trás, não importasse mais. Como se os problemas não importassem. Nem mesmo existissem.
Ah! Bendita indiferença.

Tornou-o imune a tudo que a Cidade possa jogar em sua frente para tornar seu dia um inferno. Ele não se alterava. Era indiferente a tudo isso.

Assim ele segue adiante com sua vida. Em uma estabilidade inquestionável que acompanha seu inabalável sorriso amarelo e seus passos solitários. Sim, sempre solitários. Pois ele não gosta de ninguém, nem odeia ninguém.

Simplesmente é indiferente.