terça-feira, 10 de julho de 2012

Cidades-memórias

No Chile construíram muitas cidades para os trabalhadores de companhias que eram instaladas no meio do nada. Junto com a indústria, vinham seus funcionários, com suas famílias, e vinha a cidade.

Não passavam muitos anos e a companhia deixava o local. E, juntamente com ela, iam-se seus trabalhadores e famílias. As cidades, agora fantasmas, eram então destruídas; não tinham mais razão de existir.

Patricia Cortez nasceu e cresceu nessas efêmeras cidades, cidades que não existem mais. As ruas onde brincou e caminhou viraram rodovias, estradas mal cuidadas ou simplesmente sumiram. As casas onde morou, as escolas onde estudou, toda aquela paisagem refugiou-se apenas nas poucas fotos da época.

- Se eu quiser voltar, - relatou ela - não encontrarei nada nos seus lugares. Elas estão apenas nas minhas lembranças.