sábado, 14 de julho de 2012

Happy Hour

Este foi um daqueles típicos dias desgastantes para os dois - de fato a semana inteira havia sido cheia - e não havia muita energia de sobra.
Depois de tanta desventura num dia só, se deram o luxo de sentar-se à mesa, desfrutar de uma deliciosa sopa, quentinha, perfeita para o tempo dos últimos dias. Parecia que finalmente o clima havia decidido tomar um rumo certo e deixar daquela típica alternância aleatória extrema.

 - Somente um adendo: Extrema, neste caso, refere-se à aleatoriedade das mudanças, quanto à diferenciação dos 'tempos' subsequentes - 

Tomada a sopa, os dois decidiram sentar-se no bom e velho sofá da sala de estar e, acompanhados pelo delicioso som de uma empoeirada vitrola, que tocava um disco antigo, este nada empoeirado, daquele samba paulista gostoso, ficaram sob um grosso cobertor de lã assistindo o tempo passar e mais uma semana louca ficar para trás.

À medida que o tempo passava, e o horário comercial já havia se tornado uma lembrança teimando a sumir na curva, aquela sensação de 'sexta-feira à noite' começou a se estabelecer e daí surgiu a brilhante ideia:

 - Amor, o que você acha de fazermos alguma coisa legal hoje?
 - Mas é claro! Estava com vontade de fazer algo diferente mesmo! O que você tem em mente?

Seguiu-se aquele silêncio na sala de estar, quebrado apenas com o início de mais uma música cantada pela voz rouca, que teimava em falar tudo errado.

Depois de muito avaliar. Os dois se entreolharam e finalmente chegaram à um consenso. Os dois não haviam trocado uma palavra sequer, mas sabiam que tinham em mente a mesma proposta. Acenaram afirmativamente com a cabeça, aceitando a proposta que o outro não havia nem precisado falar. Respiraram fundo, reuniram forças, e com muita sincronia se ajeitaram sobre a coberta, ele apoiou a cabeça sobre a dela e ambos caíram no sono sentados no sofá, enquanto o trem das onze passava pelo ar, vindo da empoeirada vitrola.

Foi o melhor 'happy-hour' de todos os tempos.

Típico de uma sexta-feira a noite, no bom e velho inverno da encruzilhada dos pinhões.