quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ritual

Os últimos dias que se passaram devagar, mas mesmo assim Nicholas estava eufórico com cada segundo. Era uma contagem regressiva mental, que já durava um bom tempo. Não sabia mais o que fazer para desviar sua mente disso.

Mas tudo isso ia terminar. Faltando 3 últimos dias estava impossível segurar a alegria. No último, então, estava sorrindo até quando sua mãe o obrigava a comer aqueles legumes que odiava na hora do almoço. Ele não via a hora de limpar o prato e sair correndo para o banco do passageiro e então partiram.

Era um longo caminho e ao longo dele a ansiedade chegou a seu ápice.

Chegados ao aeroporto, estavam os dois lá, parados com o carro, esperando em frente à porta do terminal.
Nicholas estava sentado tentando manter uma compostura, mas à medida que o atraso do voo 4453 se alongava, estava ficando complicado de se conter. A um certo ponto, Nicholas saiu do carro e, sem que sua mãe pudesse fazer coisa alguma, correu em direção ao terminal. 

Entrou correndo pelo saguão e seguiu para o fundo, onde se encontra o portão de desembarque e ficou lá por mais uns quinze minutos até sua mãe chegar e acompanhá-lo. Ficaram lá por mais uma hora e meia, observando todo o tipo de coisas. Famílias inteiras esperando o filho que viajava por um ano. O grupo de amigos aguardando o colega de sala que volta do intercâmbio e estão lá, munidos de apitos, serpentinas e vuvuzelas, prontos para deixá-lo roxo de vergonha.
Gente sozinha esperando a pessoa amada, gente agitada pelo tempo de espera, gente triste pelo cancelamento do voos de tantos.

Era tão bom ver estas pessoas lá. A ansiedade delas parecia aliviar a sua e, à medida que seus aguardados saiam pela porta de vidro, o sorriso delas tornava sua espera cada vez mais deliciosa.

Depois de um bom tanto de espera, ansiedade e sorrisos, Nicholas viu por trás da porta um vulto familiar. Parecia que tudo aquilo que ele foi absorvendo durante esse tempo ia subindo pela sua espinha, engasgava em sua garganta até, finalmente a porta de vidro e aparecer o rosto familiar de seu pai sorrindo, apesar de cansado!

E do 'acaso' surgiu a tradição de, a cada viagem, pegar o carro, ir até lá e atravessar toda aquela montanha russa emocional.

Parece que tudo era pra ser assim. Como qualquer outro ritual.