terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Batalha Continua

A espada fincada no solo estava embebida em sangue negro. O cavaleiro ajoelhado a sua frente arfava, exausto. Ao menos respirava, o que já não podia ser dito de seu último inimigo. Um enorme monstro disforme, com muitas cabeças e tentáculos pendendo de todos os lados do seu corpo escamoso, jazia imóvel no chão, retalhado sobre uma poça de seu próprio sangue.

O Cavaleiro da Armadura de Pedra se levantou e olhou para trás. A Torre lançava sobre ele uma longa sombra, ocultando o sol que nascia. Na janela mais alta ele podia ver a Senhora daquela torre, sua dama, o motivo de todas as suas lutas e glórias. Por mais que ela tentasse se mostrar fria diante de cavaleiros, quando ele lutava sempre levava uma mão ao peito de preocupação. E era assim que ela estava, com uma delicada porém poderosa mão agarrada às dobras de seu vestido.

Tirando a grande espada do solo, o Cavaleiro a limpou e guardou dentro da bainha. O sol subia, e sua armadura feita de pedra polida branca e dourada brilhou como o próprio astro. Com um aceno para a Senhora, ele disse:

- Esta era a última Aberração da Torre, minha Senhora. Agora devo partir. Há outras batalhas a serem travadas não muito longe daqui.

Vendo-o partir, a Senhora apertou ainda mais a mão sobre o peito. Mas logo sua preocupação passou. Sabia que ele voltaria. No final do dia, ele sempre voltaria para descansar em seus braços e recuperar suas forças, apenas para partir no dia seguinte e vencer a batalha seguinte. E então, voltaria novamente para ela.

Com as Aberrações da Torre derrotadas, ela podia finalmente cuidar de seus Monstros, criaturas mais dóceis e curiosas, que ela mesma havia criado. E seu Cavaleiro continuaria a fazer o que sempre fazia: triunfar onde fosse preciso.