quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Crescer.

Estranho quando nos damos conta de que a vida simplesmente passa e não espera que amadureçamos, ou que tomemos nosso tempo para escolher onde damos os passos. Ela simplesmente vai. E é nessa toda que seguimos, dando os passos na medida em que conseguimos ou queremos (muitas vezes nao temos muita escolha, mas os passos necessários não precisamente menos prazerosamente do que aqueles que escolhemos).

E é muito fácil perder a noção dos passos que damos, distraídos pela infinidade de coisas que a vida vai colocando na nossa frente ou concentrados pelas grandes decisões que tomamos e pelos grandes eventos marcantes.  Joaozinho (sempre ele) estava tão maravilhado com tudo. Estava lá, sua família era ótima, estava acostumado a ser um esforçado (não muito brilhante) estudante de arquitetura - ele adorava ser estudante, tanto que postergara sua formatura. Namorava uma moça maravilhosa e tinham muitos planos para o futuro.

E assim o tempo ia.

Os primeiros meses de formado poderiam ser facilmente caracterizados como insanos. O ritmo era intenso, as responsabilidades não paravam de crescer. Não havia muito tempo para entender o que estava acontecendo. Todo o tempo em que sua mente não se ocupava com o turbilhão que vinha do trabalho, só queria saber de aproveitar o tempo com a amada com momentos não muito desgastantes, como passar o dia vendo filmes, ou lagarteando. 

Eis que um dia destes voltava para casa e logo ao chegar no elevador uma vizinha simpática perguntara sobre a família. "Como vai o pai? Viajando muito? E a mãe? Faz tempo que não a vejo também! O seu irmão está estudando! O que ele está cursando de bom? Desenho industrial, que legal!  E você, está estudando o que?"

Nesse momento veio um momentâneo silêncio. Momentâneo para a moça que estava lá disparando perguntas em cima de perguntas. Um respiro para ela, de fato. Para Joaozinho esse espaço de tempo até as próximas três palavras foi eterno.

"Eu sou arquiteto"

Toda a esperança de prosseguir a conversa em um tom natural se desfez, os próximos momentos foram completamente alheios a qualquer noção de realidade que se conhece.  Via a, pensativo, a boca da mulher se mover, ouvia urros balbuciantes ininteligíveis e não dava a menor atenção para eles. Tudo que cabia em sua cabeça no momento era o cenário de que agora tudo havia mudado em sua vida.

Naquele instante caiu, de uma vez, a ficha de que agora não era mais um jovenzinho. Aquele mundo acadêmico que inocentemente parecia uma fortaleza contra o fracasso havia desabado diante dos teus olhos, no intervalo de um suspiro ligeiro. Agora é à vera!

No fundo, bem lá no fundo ele já sabia. Mas não havia tido tempo para digo.

Agora é a hora de realizar todos aqueles planos! É a hora de fazer acontecer.



(...)



Mas ainda resta aquela singela inocente sensação de incapacidade que aparentemente deveria de ter morrido deu um suspiro bastante sonoro. E toda a sua alma estremeceu!