terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Ponto do Conto

- … e então "tziuf!", o coelho se transformou numa rosa branca dentro do espelho!

A Menina olhava com uma cara comprida e emburrada para o Menino, mantendo os braços cruzados desde o começo daquela história maluca.

- Pensa que me engana? Isso é tudo invenção sua que eu sei – ela bateu o pé, ríspida. – Igualzinho àquela vez em que você falou que o fundador da cidade foi um cara que vendia pinhões na antiga encruzilhada que atravessava a Praça Central.

- Eu juro que é verdade! Quem me contou isso foi aquela moça lá, pouco antes de você chegar.

O alvo de seu dedinho magro era uma estranha mulher sentada na beira da fonte. Ela usava um vestido roxo com um enorme casaco preto por cima, e também um largo chapéu preto que impedia que a Menina pudesse ver seu rosto. Ele bem podia ter apontado para o vendedor de pipoca na esquina ou para o cachorro que fazia suas necessidades em meio às flores recém plantadas pela prefeitura que a garota não teria acreditado nem mais nem menos naquela história sem pé nem cabeça.

- Isso não faz sentido – afirmou, convicta. – Vai me dizer agora que também viu um palhaço triste espalhando alegria pela cidade com bilhetinhos bem humorados?

O Menino fitou-a, espantado.

- Você o viu também?

- Argh, você é impossível!

Com passos duros, a Menina se afastou de lá, decidida a esquecer aquela conversa idiota com um jogo de baralho ou com suas bonecas. Enquanto isso, o Menino continuava sem entender o que havia acontecido. Tirou então um cartão colorido do bolso que exibia os dizeres “Tenha um ótimo dia!”

- Eu o vi...