sábado, 15 de setembro de 2012

O circo e o tapete da sala de estar.

"Mas é um absurdo!" Pensou o menino vendo que seu brinquedo novo com as peças todas quebradas. Havia deixado cair o carrinho, que havia acabado de ganhar no seu aniversário, após um belo tropeço enquanto corria pelo quintal de concreto. Ainda por cima havia ralado o joelho e estava ardido ardido.

Mas o que realmente perturbava a criança era que sexta-feira era o dia de levar brinquedos na escola. Seria a oportunidade perfeita para mostrar a todos e ficar se exibindo a tarde toda. Todos os outros ficariam roxos de inveja! Era o momento que todo garoto de 6 anos esperava. A época do aniversario e a oportunidade de - inconscientemente - humilhar todos os amiguinhos. E para piorar tudo, três semanas atrás um dos colegas tinha acabado de fazer aniversário e levou um boneco tão legal. 

Era realmente o fim do mundo!

O pai observava o menino incrivelmente angustiado. Sentou ao seu lado para saber o que acontecia, sugerindo arrumar o brinquedo. Mas não havia como. O menino estava emburrado demais para ouvir. Bom. Uma hora ele aprenderia o que realmente importa. Mas por hora, deixou assim e algumas horas depois o menino haveria esquecido tudo e estaria brincado novamente.

Aliviado o pai foi até a sala, sentou-se no sofá e ligou a TV enquanto o menino estava espalhado no tapete fofo da sala de estar. Deu 8 horas da noite e o circo se armou e a propaganda eleitoral começou. Entre um candidato e outro que passava falando seu nome e alguma rima idiota, ele olhava a criança lá, ainda triste esparramada no chão. Depois novamente olhava para a TV esperando qual seria o próximo bufão. E depois novamente observava o filho arrasado por causa do carrinho.

E assim a rotina seguiu.

Alguns minutos depois, a mãe, que havia acabado de sair do banho com seu pijama confortável e seu cabelo ainda molhado, entrou na sala de estar. E observava. Na televisão estava mostrando a vinheta de um dos candidatos. E durante aquela musiquinha irritante procurava o marido e o filho. Andou em direção à televisão e passando do sofá se deparou com o pai e o filho, ambos sentados no chão e recostados no pé do sofá com aquela cara de nada olhando para o igual nada.

Pensou consigo: 
"É... A gente cresce e os problemas crescem com a gente... "

E não duvido que se ela sentasse e visse aquele circo por cinco minutos que fossem, ela estaria ali compartilhado aquele tapete gostoso da sala de estar.