terça-feira, 11 de setembro de 2012

Urbano

Se não tivesse escrito em seu diário de menino teria esquecido como foram seus primeiros dias na cidade grande. Isso que na época nem era tão grande assim; hoje está o dobro de prédios ruas pessoas coisas tudo o que era antes.

Mas é que sua cidadezinha era de tão pequena atravessável de ponta a ponta sem pedir muitos passos e minutos. Bastava-se.

Então quando ele foi chegando à cidade já de longe viu que era de um lugar muito distinto que se tratava. A cor acinzentada as linhas verticais acidentadas no horizonte.

Num piscar de olhos que pareceu se viu rodeado de prédios lojas casas ruas carros caminhões motos pessoas. Nunca viu tanta coisa num mesmo lugar.

A cidade não cabia num olhar só mas em muitos longos observares. Os olhos além de girar no horizonte precisavam ir das calçadas e asfaltos aos telhados e picos das construções que arranhavam céus e projetavam enormes sombras ao chão.

O ar era cheio de gases poeira buzinas roncares de motores máquinas de asfaltar carros de som aviões. Enquanto suas narinas e ouvidos confundiam-se e estranhavam os pés tateavam paralelepípedos papéis bueiros petits-pavés.

A cidade movimentava-se e agigantava-se e não era mais possível saber onde começava ou terminava. Queria sempre mais.

Recordava-se que sua cabeça ficara doída por dias diante de tanta informação. Hoje ela doía de saudades. Saudades da época de sua cidadezinha.

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Nota da autora:

Aproveitei o tema sugerido por meu pai para arriscar algo experimental. Da mesma forma que ele fez hoje, aceito sugestões de temas para os próximos contos. Podem deixar seu recado aqui ou via e-mail!