terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em Prol do Politicamente Incorreto

Não venha botar amarras no meu coração. Não comando as palavras que dele saem chutando a porta, sim, e por que não? Coração bom não tem que temer represálias. Coração de significados puros não quer mal aos outros, não. Quer é rugir em defesa dos injustiçados e contra os injustos – seja com a palavra que for. Se a intenção é ofender, vai usar as palavras apropriadas para tal, os ditos "palavrões". Do contrário, não precisa medir verbetes entre as linhas, pois entrelinhas não há nada para ser medido além do eco.

Para um coração puro de significados e cheio de poesia, a comida afro-descendente não tem sabor. É tão técnica que é medida em gramas exatas, sem aquela pitada mágica de quem cozinha com um truque ou dois em sua bagagem culinária. Já a Preta Véia (sim, escrita dessa forma) cozinha como os deuses, sejam eles Nosso Senhor ou seus patronos da nação negra. Negra sim, como o breu, como o ébano, como a pura e simples cor: preta, sem maldade nem rancor.

Recuso-me a aceitar tais amarras! Até parece coisa de gente mal-humorada, ficar inventando sentidos pejorativos para palavras que não tem nada a ver com isso. A ofensa vem para quem quer ser ofendido. Quem não vê coração alheio, não vê cara nem oração – luta de dentro para fora contra a felicidade. Coisa boba, né? Mas é, tem gente que não sabe ser feliz e faz questão de instigar o conflito onde antes havia apenas redes em palmeiras, sombra fresca e água de côco.

Saídas da minha boca ou pena, essas palavras classificadas como "politicamente incorretas" nunca tiveram a intenção de ofender ninguém, e não pretendo mudar isso só porque alguém sem alegria no coração diz que essas palavras não têm mais poesia. Termo técnico é coisa de livro didático: aprende quem quer se enrijecer com o sentido absoluto das coisas.

Deixem-me com a pureza do inexato, da poesia, a grandeza das palavras do dia-a-dia! Meço muito bem minhas palavras e não admito ser julgada por um colóquio.