terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O doador chinês

Robert era chinês, mas morava no Canadá. Dizia que costumava dormir menos de quatro horas diárias, e que trabalhava o dia inteiro e também de madrugada. Seus olhos, mesmo para os padrões chineses, eram mais estreitos que o normal, deixando quase nenhum espaço para ali penetrarmos com algum olhar um pouco mais atento. Não sabíamos se esse era seu nome de nascimento, ou se era apenas uma adaptação do chinês à língua inglesa. Tampouco sabíamos se algumas “boas ações” que ele fazia eram por caridade ou interesse. Como o dia em que ele foi doar sangue:

- Era um dos meus primeiros dias em Toronto, e eu fui num lugar para doar sangue. Eu vi aqueles sacos plásticos grandes nos quais colocam nosso sangue, e perguntei se eles tinham tamanhos diferentes. A moça disse que esse era o único tamanho que tinham. Mas eu tinha que dirigir depois daquilo, e perguntei para ela: “Posso dirigir depois daqui?” Ao que ela disse: “Você tem carteira de motorista?” Como se tirar sangue não fosse nada…