terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Como Falam os Poetas

O coração não é um orgão para ser entendido. Não tem juízo nem sentido quando explode de paixão. Não é também um orgão para ser pisado e tampouco menosprezado. Ao mesmo tempo é forte e delicado, aconchegante como um chocolate quente no inverno e frio como um cubo de gelo quando ferido.

Ah!, o coração...

Sua voz silenciosa são os olhos, essas janelas que da alma mostram não mais que uma faísca passageira, que é o fogo do coração. Mesmo que arda intensa e longamente, é dele que os olhos são janela fiel e sempre aberta. Quão mesquinhas são as pessoas que usam óculos escuros quando estão conversando conosco!

Mas isso tudo é papo louco de poeta... Eu, realista, deveria descrever o coração como um órgão essencial à vida, bombeador do sangue que move nosso corpo, pulsante, cheio de veios e cavidades escuras e pegajosas.

É, eu deveria. Como devemos sempre andar calçados, comer vegetais diariamente e correr de forma compassada nas pedestre-vias dos parques. Mas a vontade de abrir mais uma de tantas exceções é mais forte. Não posso me limitar à realidade quando tenho esse coração de poeta nas mãos, no peito e na boca. Com ele, as fronteiras do sentimento extrapolam qualquer limite analítico e lógico. Tudo se torna tão mais belo... tão mais intenso... tão mais arrebatador... tão mais.

Papo louco de poeta. Nem eu me entendo nessas horas. E quem entende ou é um mero realista ou um mentiroso. No momento, não me sinto nenhum dos dois.