terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Memento Vivere

O fino papel quase desmanchava entre seus dedos. Olhando para cima conseguia ter uma das visões mais bonitas que se lembrava: uma árvore com galhos secos, repleta de papéis coloridos, que tomavam o lugar de suas folhas. Os papéis se entrelaçavam e ocupavam o espaço um do outro na tentativa de ficar no galho mais alto. Cada um deles estava carregado de desejos para o novo ano, e os que estivessem mais perto do céu teriam mais chances de se realizar. 

- O que você pretende escrever nesse papel jovenzinho? – Um senhor sentado no meio-fio perguntou.

- Meus desejos para esse novo ano.

- E quais são eles?

Ele não sabia. Nunca sabia o que queria fazer ou mudar em sua vida. Nunca sabia o que esperar de um novo ano.  

- Quero consertar meus erros. - Arriscou.

- Você não pode mudar o que já aconteceu. Tudo o que realizou, para o bem ou para o mal, fez o que você é hoje. O que mais nós somos além de um amontoado de memórias e cicatrizes?

- Então eu vou me tornar um homem muito rico.

- Mas você também não pode prever o futuro não é? Apenas desejar, sonhar e manter isto em mente.

- Então o que eu posso fazer?

- Você pode usar o que você tem agora, nesse exato momento. O agora é tudo o que possuímos. O passado se foi e não podemos viver nele, pois se o fizermos viveremos apenas de uma eterna nostalgia e repreensão. Também não podemos viver apenas pensando no futuro e esquecer que na verdade nossa vida está passando diante dos nossos olhos enquanto esperamos por algo que não sabemos se vai realmente se realizar.  

- E o que é o presente?

- É esse segundo.

- Agora?

- Agora aquele segundo já virou passado.

- Mas é rápido demais! Como você quer que eu faça algo em um tempo tão curto?

- Como eu disse, você sempre tem o agora e somente ele.

- Ou seja, nada está realmente em minhas mãos.

- E ao mesmo tempo tudo está. – Completou o senhor.