terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Grandioso e o Pequenino

A Senhora saiu de sua Torre ao pôr-do-sol, margeando a borda do lago situado aos pés da colina que era sua morada. Na margem oposta, ela sentou sobre uma das grandes pedras chatas que emergiam da terra com frequência naquela região. Seus olhos recaíam sobre o horizonte, mas não onde o sol se punha. O céu estava rosado no leste, começando a roxear, e o sol já não era mais visível do outro lado.

À medida que o firmamento estrelado começou a cobrir a terra, sua mente se perdeu em pensamentos sobre o universo, infinito e grandioso. Tentou imaginar quantas das estrelas que via eram sóis como o de seu mundo, e quantas dessas teriam gerado vida nesses torrões de rocha que dançavam em volta de suas saias radiantes. Lembrou-se que seu sol era apenas uma das milhares de estrelas de uma galáxia e que haviam muitas outras, incontáveis.

O ser humano se achava tão grandioso em suas conquistas que raramente parava para pensar no quanto era pequenino. Comparado a tudo que existia, nem todas as pessoas do mundo e suas invenções e tecnologias era importante ou grandiosa o suficiente para suplantar a magnificência do universo.

Então, como uma âncora que subitamente atinge o fundo do oceano, seus sentidos a trouxeram de volta à realidade palpável a sua volta. A Senhora sentiu algo rastejando em seus dedos. Levantou a mão na altura do rosto e viu, para sua grande surpresa, uma minúscula joaninha andar inconsequente e inconscientemente sobre ela. Aquilo lhe trouxe uma alegria singela, o mesmo sentimento que sempre tivera desde criança ao observar as criaturas pequenas e belas deste mundo que sequer tinham consciência das enormes criaturas a sua volta, das suas cidades, dos seus feitos, nada que fosse muito maior que seu campo de visão.

Voltando seu olhar novamente para o céu, a Senhora se deu conta de que a humanidade, assim como as joaninhas neste mundo, não passavam de um ponto perdido num todo muito maior, Porém, independente de como ou por que existiam (essas perguntas ela humildemente se abstinha de responder), podiam ser muitas coisas, belas ou terríveis, mas nunca seriam insignificantes.