quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Tempestade I

Navegando pelos ares, sem ostentar nenhuma bandeira, vaga um zepelim cuja tripulação reflete a monotonia e o tédio vividos pelo seu capitão. Fechado em sua cabine ele estava a horas em pé observando o que deixavam para traz. Tudo que sua vista podia alcançar não parecia mais fazer ter sentido.

- Capitão!
Um homem entra repentinamente.

- Sim imediato. - a resposta vem sem energia e com um pingo de impaciência.

- Avistamos uma nave...- antes que o homem pudesse completar, é interrompido com uma interrogação.

- E?

- Bom...- hesitante ele continua - Achei que os homens poderiam se exercitar um pouco.

O Capitão vira-se para seu imediato e um instante de silêncio faz-se presente.
- Então comande o ataque.

.......

Quando a notícia chegou à tripulação, a euforia era evidente. Rapidamente todos assumiram suas posições e aguardavam ansiosamente o ataque. Em sua cabine o capitão continuava a contemplar o seu próprio vazio, até que alguma coisa parece despertá-lo.

- Este barulho não é dos canhões. - Um som grave, porem com baixo volume, propagava-se velozmente. O que levou o capitão a sair de sua cabine e ir até a proa para verificar com seus próprios olhos. Apenas um segundo de observação foi suficiente para que agora sua passada fosse firme e suas ações convictas. Ele caminhou até o timão e o tomou do navegador.

- IMEDIATO!

- Sim capitão! - respondeu surpreso ao ver o capitão fora de sua cabine, talvez até mais do que alguns que os cercavam.

- Nós vamos para o leste. Mande alimentar as caldeiras com toda a carga e um pouco mais.

Sem questionar o imediato repassava as ordens e as complementa com mais instruções. Porem um cochicho começava a questionar a sanidade e principalmente a cadeia de comando. Um motim parecia iminente, afinal, os homens estavam cansados de vagar sem rumo e sem nada para fazer além de olharem uns para os outros e quando finalmente teriam um pouco de ação o capitão os ordena a parar e seguir uma turbulência.

- Ele está com "os olhos do capitão"! - ao ouvir essas palavras a tripulação muda completamente. Dos mais experientes, que já viram este olhar, aos que só escutaram sussurros sobre, todos sabiam o que isso significava e pareciam contagiados. As armas foram deixadas de lado e os postos de combate abandonados. Todos preparava-se para navegar como nunca antes.

O zepelim agora com destino certo, rumava em direção à tempestade.