terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

As Horas

A chuva cai na noite fresca. Os Pássaros da Garoa cantam suas alegrias, seus sonhos e seus amores. O resto do mundo silencia embalado pelo canto caloroso. Olhos se fecham em sorrisos internos e mentes expandem.

Um cachorro perdido vadeia a avenida. Nenhum portão lhe é familiar. Um uivo sofrido e saudoso corta a noite. O gato vadio vira a lata de lixo; ele perdeu seu rato de sobremesa. Ou seria uma pomba sem asas, naquela noite sem lua?

O Menino dorme, e dormindo sonha que a Menina está lendo seu livro favorito. À luz da lâmpada, na cama a Menina dobra os joelhos e apóia sobre eles um grande livro. Sem saber, o protagonista a conquistará dentro de poucos minutos e naquelas páginas ela se encontrará.

Os fios balançam com o vento. Os postes se apagam. As casas se apagam. Prende-se a respiração por meio segundo. Centenas de suspiros aliviados escapam de lábios tensos ainda incertos de sua segurança. Velas se acendem...

A Encruzilhada dos Pinhões pulsa, respira, vive. Tudo acontece nas horas dos sonhos. Tudo acontece. Todos sonham as horas.