terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Uma Lua no Pôr do Sol

Desce o sol preguiçoso e eu me espreguiço defronte a janela. Não o vejo, mas sei que a tarde está no fim pelos fiapos rosados sob o céu a leste. É tudo o quanto posso ver da minha janela: as árvores verde-douradas com os últimos raios de sol e nuvens que passam do rosa ao arroxeado.

Ainda com o céu muito azul, já é possível ver a lua entre os fiapos coloridos de vapor mal condensado brilhando redonda como um segundo sol que nasce ante um dia negro e belo.

É isso tudo o que vejo de minha janela. Mesmo sem poder vê-las, imagino estradas. Sem ouvir o marulhar de suas águas, no fundo de meus olhos correm rios e, sobre eles, pontes nunca antes atravessadas. Embora eu possa ver apenas um pequeno bosque de minha janela, ouço o estalar de folhas secas sob meus pés explorando uma floresta que nunca visitei.

Imagino viagens e terras exóticas que, pelo tempo e pela inconveniência, nunca vivenciarei senão pela empatia. É assim que me deixo transportar pela lua cheia no pôr do sol. Ou, antes, será assim que a lua me imagina quando vê meus olhos mirando-a da janela?