terça-feira, 21 de maio de 2013

Metamorfoses

Nem faz tanto tempo assim, mas o restaurante em que almoçávamos já mudou de nome e fechou. Passei hoje ali na frente, e vi a fachada triste com vidros sujos e paredes pichadas. Tantas boas companhias naqueles almoços, e talvez o que foi nosso primeiro jantar a dois.

O estacionamento ao lado virou um edifício, que está quase pronto. Gente não vai faltar para morar ali, perto de tudo. Mais gente para o centro da cidade... E o trânsito, só piorou desde então. 

À noite, o calçadão em que caminhamos entre um café e outro tem uma nova iluminação. Aquelas românticas luzes amarelas foram trocadas por brancas, como um escritório ou uma fábrica. As calçadas em torno perderam os antigos desenhos de pedras brancas e pretas, para ganhar vãs peças simétricas cinzas e vermelhas. Mas os saltos finos e as cadeiras de rodas agradecem.

As ruas que me levam à sua ganharam novo asfalto, e outras tantas mudaram de sentido.

Nem faz tanto tempo assim, e quantos amigos vimos juntos se formarem e casarem. Quantos aniversários, passeios, cinemas, almoços e jantares!

No entanto, parece que há muito tempo juntamos minha vida à sua. Aquele desconhecido sem demora virou meu maior confidente; e palavras que nunca ousei pensar as falo sem medo a você. O medo agora é outro. Após de fato tanto tempo, com restaurantes, estacionamentos, prédios, calçadas, ruas e pessoas diferentes, seremos os mesmos dois? O que a cidade pode fazer de nós, ou nós da cidade... e de nós mesmos?