terça-feira, 4 de junho de 2013

Entre tapas... e beijos

Muito se fala dos conflitos entre sogras e seus genros, mas, como lembrou uma atenta leitora, a relação das sogras com suas noras pode ser tão pacífica quanto eles (aos demais leitores, apenas deixo claro que não é meu caso nem o da única nora da minha mãe; duas com a sorte de serem felizes nesse campo delicado) (ou assim acredito eu).

Espera-se que as noras deem continuidade aos cuidados prestados zelosamente pelas mães de seus companheiros. O que, longe de agradar a todas, gera reclamações de ambos os lados...


“Vejam só, a Poliana, deixou uma semana o Carlinhos sozinho em casa, e então ele me aparece com quatro pontos na mão. Que foi isso, meu filho?!, perguntei-lhe. Ele foi lavar a louça, e caiu uma jarra de vidro, bem ali. Oras, falei para a Poliana não fazer mais isso. E se fizer, o Carlinhos que venha ficar aqui em casa, para não precisar lavar a louça nem nada. Onde já se viu...”


“O problema é que nós esperamos que eles venham prontos. Mas as mães não deixam os filhos prontos. O Vitor nunca cuidou das roupas dele. Ele as coloca para lavar e depois só as pega dentro do guarda-roupas. A mãe dele faz tudo. Eu sempre ajudei minha mãe a cuidar da casa... eu e minha irmã. Se precisa, sabemos o que fazer. Agora ele... não sabe nem o que é uma colher de sopa!”


“Só de pensar já me dá uma tristeza. Ele poderia ter escolhido uma moça melhor. A Ana, por exemplo. Melhor namorada que ele já teve. É minha amiga até hoje. Tão querida. Agora essa... Se acha a dona do Dinho. Para não dizer mais. Um dia ela me pareceu muito aborrecida com alguma coisa. Quando ela foi embora, perguntei ao Dinho o que houve. Sabe o que foi? Eu tinha sentado na cadeira onde ela sempre sentava. Nem eu sabia que tinha lugar marcado na minha casa! É tudo o que ela sabe fazer. Porque de resto, nunca fez nada. Por isso que precisa de empregada. Que é meu filho que paga, coitado. Mas não falo isso para ele. Vou fazer o quê? Só desabafar com você.”


“Quando as crianças nasceram, tive que tomar mais cuidado com a outra avó delas. Foi eu deixá-las um dia na casa dela, que ela as empanturrou de comida, sabe-se lá com que higiene. Eu sei como as coisas são lá na casa deles. Dormir, só lá em casa ou na casa da minha mãe. Visitas à avó só comigo por perto. E olhe lá...”


“Mas eu me lembro da primeira vez que a vi. Menininha, toda maquiada. Foi muita gente em casa naquele dia, e eu pedi para ela fazer uma caipirinha. Ela disse que não sabia. Nem uma caipirinha ela sabia fazer! Quem te viu, quem te vê. Hoje ela faz tudo quanto é coisa. Aprendeu.”


“No fim, hoje eu a acho até divertida. Uma figura. E, de longe, uma boa avó.”


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Nota da autora: Este conto é dedicado, como agradecimento, à leitora Márcia, que sugeriu o tema. Sugira um tema para o próximo conto de um dos autores do Toco de Vela você também! Mande-nos um e-mail ou preencha os campos na página "Contato", aqui do blog.