segunda-feira, 10 de junho de 2013

Silêncio, casa de monstros

O rapaz permanecia deitado sobre a grama olhando para cima, a cabeça acomodada no travesseiro improvisado feito de seu casaco enrolado. Sua tela era o céu estrelado, e nela pintava seus monstros interiores.

Não havia sons ou luzes por centenas de metros a seu redor, apenas a escuridão revelando o céu e o som ocasional de um grilo ou algum animal distante mexendo alguma folhagem. À distância, o som abafado de uma nascente correndo lenta entre as pedras completava o belo cenário auditivo. A companhia mais marcante ali era o silêncio, um sossego quase sobrenatural para alguém que vive em uma cidade.

Os olhos curiosos sondavam as estrelas, captando aquelas que pareciam variar em brilho, analisando o fundo negro azulado e ocasionalmente testemunhando uma estrela cadente. A paz e a serenidade reinavam naquele lugar.

A cabeça, porém, é um escudo contra a tranquilidade. Na mente do garoto, um mar revolto de memórias mal resolvidas e frases nunca pronunciadas era constantemente bombardeado por raios de remorso em uma tempestade de inseguranças, arrependimentos e sentimentos de raiva. Ali, a quietude de fora dava força para os monstros de dentro.

A paz era desesperadora e o silêncio ensurdecedor. Os olhos piscavam pesados focando as estrelas enquanto na mente ecoava aquilo que deveria ter sido dito, mas que na hora certa não fora pensado. Em meio à turbulência e ao caos, o sono se apoderou de tudo, tornando o mundo leve, lento e sem sentido.

A manhã seguinte trouxe o Sol como despertador. A tempestade interna estava mais calma e o rapaz se sentia revigorado. Quando voltou para casa, sorria e pensava no presente.