quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um Filho Teu, Idolatrada

Começou baixinho. Dos prédios em volta, quase não se ouvia. Foi aumentando, e ao fundo o Menino percebeu um murmúrio. Continuou o dia inteiro, escorregando pela janela aberta da sala e se convidando para a mesa de café na cozinha. À noite já era possível distinguir algumas palavras na sala.

No fim do dia, seu pai desligou a televisão e ficou ouvindo aquele som como quem ouve a chuva numa noite de verão. Agora já era possível distinguir claramente palavras entoadas em coro, crescendo a cada minuto.

O Menino, de olhos arregalados, correu para a janela. Baixou seus olhos e deixou-os passear indiscriminadamente pela rua. Via tantas vozes, tantos gritos, tantos corações! Todos eles sangravam e pediam pela cura com rostos resolutos e guerreiros.

- O que está vendo, filho?

- A canção da pátria!

No dia seguinte, o apartamento permaneceu vazio.