terça-feira, 30 de julho de 2013

Cadeira de massagem

Pretas, bem almofadadas, alinhadas ao longo de uma parede do aeroporto, havia quatro cadeiras de massagem. “Poltronas massageadoras”, “poltronas de automassagem”, diriam seus vendedores. “Excelentes”, “confortabilíssimas”, “relaxantes”.

Um homem, com sua esposa e sua filha, se aproxima. Troca algumas palavras com elas, e lhes entrega sua mochila. Abaixa-se, como se lendo instruções, remexe os bolsos e deposita alguma nota ou moeda cara na máquina. Satisfeito, entrega-se à cadeira. Senta-se.

Imediatamente começa a tocar uma sirene, avisando a iminência da massagem. As pressões iniciam, mas o som não cessa. Trum, brum, trum, o ruído da massagem é abafado pela sirene, bi-rã-bi-rã-bi-rã-bi-rã...

Ali perto as cabeças voltam-se, à procura da origem do barulho. Poderia ser uma máquina transportando algo ou alguém, ou um alarme de uma loja ou mesmo do aeroporto. No entanto os olhos encontravam a cadeira.

De olhos fechados e procurando sentir aquilo que comprou, o homem não sabia, mas virava propaganda viva da cadeira. Bi-rã-bi-rã-bi-rã-bi-rã... A propaganda era chamativa, real, imediata. A atuação, o que se esperava numa cadeira de massagem: rosto descontraído, de meia-idade; traje trabalhador, respeitoso; corpo estendido, descansando. Mas...

...inseparável do bi-rã-bi-rã-bi-rã-bi-rã... Que apenas cessa ao fim da massagem.