quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Estrambólico #3

O casco da Tartaruga era o mundo. Sobre ele, incontáveis vidas se sucediam, dançavam, riam, choravam. Sobre o casco da Tartaruga, as possibilidades eram possíveis: tudo aquilo que era foi ali, tudo que é existia ali, e tudo que será nasceria ali.

A Tartaruga apoiava suas patas sobre duas cobras roliças e lentas que sempre a levavam juntas para frente. Um dia, as duas cobras resolveram rastejar em direções contrárias e a Tartaruga ficou lá, sozinha, flutuando no espaço infinito.

Foi assim que a Tartaruga aprendeu que podia voar.