quinta-feira, 29 de maio de 2014

Fim do dia

Saiu do escritório e olhou para o saguão do prédio. Seu atento par de olhos varria cada canto, cada moldura na parede, cada vaso de planta. Não havia ninguém se esgueirando ou carregando uma arma em punhos, nem havia nenhum indivíduo suspeito encapuzado a observá-lo silenciosamente. Afrouxou a gravata e caminhou a passos firmes.

Olhou atento para o botão antes de chamar o elevador. Respirou fundo e o pressionou cauteloso. A luz que anuncia o deslocamento da máquina se acendeu sem nenhum incidente. Quando a porta do elevador finalmente se abriu, ele estava vazio. Também não houve nenhum atentado no trajeto vertical até o subsolo.

O estacionamento deserto estava repleto de carros desocupados e a iluminação transformava o ambiente em uma selva de sombras suspeitas, esconderijos perfeitos para toda sorte de mal elemento. Apesar disso, o homem andava sem pausa, passo após passo, com a determinação que o levou ao posto que agora ocupava.

Abriu o carro e nada aconteceu. Sentou no banco do motorista, e nada aconteceu. Colcou sua pasta no banco do passageiro e ligou o carro normalmente, e nada aconteceu. Saiu do estacionamento lentamente para encontrar a rua chuvosa em tráfego intenso de início de noite, iluminada pelos postes e por diversas carreiras de faróis vermelhos das traseiras dos automóveis.

Mais um dia terminou, e nada de interessante aconteceu.