terça-feira, 22 de julho de 2014

Tarde de Domingo

Na televisão, famosos falam sobre si em programas transmitidos pela mesma emissora onde trabalham, mais ou menos como um Clube do Bolinha com alcance nacional. Usar o controle remoto para checar todos os canais mostra que nenhum escapa da fórmula, por mais que se esforcem para soar originais, criativos e - essa parte é a pior de todas - engajados nas grandes questões do país.

Um suspiro saudoso pelo inocente dia em que a tv a cabo foi assinada, promessa de opções melhores nos momentos de lazer mais preguiçoso. Uma semana depois, a repetição de séries e filmes e infindáveis reality shows não torna o primo rico muito melhor do que o pobre, apenas mais frustrante.

Melhor mesmo é ler um livro, mas as palavras se confundem, os parágrafos parecem estar desconectados entre si e os bocejos aumentam a cada página virada irresponsavelmente, longe de ter sido entendida. A obra é boa e não merece tal desrespeito, sendo deixada de lado com a promessa de ser retomada em momento mais propício.

Não chove, então não se pode culpar o tempo. Ninguém próximo morreu nem está doente, então não se pode culpar a fragilidade emocional. Mesmo assim, a letargia domina o corpo cansado em um sono desperto e mergulhado em marasmo, quando até sentir tristeza é muito empenho.

Nesses momentos, o melhor a fazer é culpar o pobre e trabalhador sistema digestivo e rolar no sofá indolentemente, sem força de vontade nem para checar alguma leviandade na internet.

É apenas a tarde de domingo, essa invenção (sintoma? reação?) moderna que nos acompanha semanalmente.