segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ceia

O dia acabava tarde, culpa do solstício que havia acabado de acontecer. Estes dias compridos eram ótimos para retardar um pouco a volta para casa. Mesmo assim, cada um do grupo estava ansioso para chegar lá. Onde os peixes eram preparados com cuidado, temperados com uma incrível variedade de pimentas. Os grandes seriam assados, os pequenos viriam a ser uma deliciosa sopa. Aqueles camarões pequenos seriam perfeitos.

O aroma da ceia tomava todo o espaço, vazava pelas pequenas aberturas da parede, e todos que viviam perto já estavam com o apetite aguçado para a noite.

Havia algo de especial nessa noite de final de dezembro, não havia aquela costumeira chuva forte e o céu estava aberto. As sombras de lua formavam formas interessantes sob o efeito dos galhos de árvores. O banquete seria armado todo fora. Naquele calor forte, com uma leve brisa úmida, nada demais. As folhas permaneciam no lugar.

Havia fogo, não pelo calor, mas pela tradição. Nos amenos invernos secos os banquetes na praça central eram bem mais comuns, e o fogo essencial para espantar o frio ameno.

A lua já estava subindo enquanto todos vinham se acumulando em volta do banquete. As famílias estavam juntas, conversando e esperando a ceia ficar pronta. Os peixes assados eram levados ao centro, o cheiro de ervas era hipnotizante, a sopa estava deliciosa. A conversa também.

A música não poderia faltar.

Comeram, cantaram, dançaram. As crianças faziam uma roda e giravam no ritmo da percussão.

No fim da noite, como de costume, a música se acabava, a dança se cansava e um a um todos iam para seus lares. Afinal, o dia seguinte seria tão comum como esta noite.

Com sorte, na noite seguinte todos estariam lá, comendo juntos. E na seguinte também. E na outra. E na outra. Enquanto a chuva se demorasse em chegar naquela pequena ilha, haveria ceia.

Talvez um dia descobrissem que nessa noite, haveria ceia ao redor do mundo.

Talvez um dia descobrissem que uma de suas várias ceias teria sido uma ceia de Natal.