terça-feira, 23 de junho de 2015

No Menor dos Frascos...

Uma das paredes de sua morada se abriu de repente e a luz entrou com uma força que quase a cegou. Do lado de fora havia um daqueles seres gigantescos de carne macia olhando-a com surpresa. Esses seres eram prepotentes por causa de seu tamanho, achando que tinham o direito de mexer na casa dos outros sem permissão, e eram extremamente desajeitados quando o faziam.

Tentou se esconder debaixo de uma das plataformas de papel da sua caverna, mas continuou observando o ser gigantesco. Ele se mexeu um pouco, olhou em volta e dirigiu sua atenção para algo sobre uma das altas plataformas a sua volta. Ele tirou de lá uma barra chata cheia de pequenas marcas na borda de um dos lados e parou por um instante, pensativo. Sem aviso, deu uma estocada com a barra em sua direção.

No instinto, pulou para o lado, mas não foi rápida o suficiente: a barra acertou duas de suas oito pernas. Correu o melhor que pôde para o fundo da caverna, onde as sombras e as plataformas de papel e plástico espiralado a esconderiam.

O gigante olhou à sua procura por um tempo, segurando a marra marcada com apreensão. Depois de algum tempo, mexeu nas plataformas, puxou uma delas para fora e fechou a parede móvel de sua casa.

No escuro, sozinha, a aranha relaxou. O gigante tinha razão em ter medo dela. Mesmo sendo tão pequena em comparação com seu algoz, sua vingança seria enorme.