terça-feira, 14 de julho de 2015

Um Sinal

O tempo era uma agonia. Já havia perdido a conta de quantas horas havia passado ali. O relógio na parede emitida um tiquetaquear lento, mas seus ponteiros apenas tremulavam sem sair do lugar. Mesmo quebrado, mostraria a hora certa duas vezes no dia, mas ele não tinha como saber quando seria isso.

A tortura não tinha fim. Uma pessoa entrava na sala e, em tom autoritário, falava-lhe numa língua que ele não compreendia. A sala estava repleta de símbolos estranhos, quase como num ritual. Às vezes o obrigavam a executar tarefas extenuantes aparentemente sem fim, até que vinha outra pessoa e começava a falar coisas tão incompreensíveis quanto a anterior. E os trabalhos recomeçavam.

Pessoas estranhas o rodeavam. Olhando em volta, esqueceu-se por um momento de seu próprio sofrimento e reparou nos outros. Sabia da sua própria sina, mas o que teria trazido todas aquelas pessoas ali? Teriam eles também sido traídos pelas pessoas que amavam e largados à própria sorte naquele inferno? Teria algum deles o mesmo destino que o seu, a mesma história que a sua?

Quando a esperança de algum dia ver a luz do sol novamente já estava quase se esvaindo de seu ser, dos céus ecoou o som de sinos, como anjos cantando a abertura dos portões do paraíso. Aquele sinal fez com que todos despertassem de seu torpor, erguendo as cabeças não mais abatidas. Quando o som passou, todos se levantaram e correram em direção à porta que se abria, a liberdade.

O menino saiu correndo da escola sem nem esperar pelos amigos. Lá fora, o sol do verão tocou sua face e puxou-o em direção ao dia. Só precisaria voltar dali a dois meses.