sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Estrela Cadente

Um risco luminoso cortou o céu. Fechando os olhos, o Viajante mentalizou um desejo. Quando abriu-os novamente, sua amiga Shuei estava a seu lado, com seu vestido azul diáfano, olhos profundos como o mar e pele suave como os riachos. Não era aquilo que ele havia desejado, mas ficou tão feliz em vê-la ali quanto se houvesse obtido o desejo da estrela cadente.

– Você fala com os mortos – ela comentou calmamente.

– Os mortos?

– A estrela que caiu. Você foi o último a falar com ela.

– Elas realmente ouvem nossos pedidos?

– Às vezes, quando as pessoas falam alto o suficiente. Mas não adianta gritar, não é assim que as coisas funcionam.

– Quer dizer que, se ela me ouviu, vou ter o meu desejo realizado?

– Vocês humanos tem noções tão estranhas. Estrelas Cadentes não realizam desejos, tolinho.

– Não?

– Não.

– O que elas fazem então?

– Ouvem. Elas ouvem e ecoam os desejos pelo universo e nas memórias daqueles que os geraram para que não se esqueçam do que há de mais belo em seus corações.

– E se a pessoa desejar algo ruim?

– Essa coisas não ecoam, elas corroem. Estrelas Cadentes não ouvem coisas ruim. Elas só ouvem aqueles desejos que brilham e aquecem o peito, pois esse é o tipo de coisa que vale a penas eternizar.

O Viajante ficou pensativo por um tempo, observando o céu estrelado e todos os desejos viajando entre os pontinhos luminosos. Ele se sentiu minúsculo, como se agora fizesse parte daquela valsa celeste, e o sentimento era devastadoramente grandioso.

– Agora sei porque o céu é tão bonito – disse, sem fôlego.